Bênçãos do Pacto


Bênçãos do Pacto - C. H. Spurgeon

Bençãos do Pacto - C. H. Spurgeon
C.H. Spurgeon, Eleição

Bênçãos do Pacto (Sermão Nº 2681)
Um sermão destinado para ser lido no Dia do Senhor, 1 de julho de 1900.
Pregado por C. H. Spurgeon, em New Park Street Chapel, Southwark,
Em uma noite de quinta-feira, no verão de 1858.

“Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua aliança.” (Salmos 111:5)

Este versículo ocorre em um dos Salmos de Aleluia, ou seja, aqueles que começam com: “Louvai ao Senhor”. Muitas vezes encontramos o salmista louvando e exaltando a Deus, então imitemos seu exemplo. Vamos imitá-lo, e, então, veremos que será muito agradável e proveitoso também, pois este é nosso dever sagrado. Um dos maiores exercícios da nova vida é louvar a Deus! Nossas dúvidas e medos são indicações de vida, pois o homem morto não tem dúvidas, nem receios. Mas nossos cânticos de louvor são manifestações muito mais elevadas da vida interior, e são frutos mui dignos de um solo que tem sido cultivado por Deus, que foi lavrado pelas agonias do Salvador e fertilizado através do Seu sangue precioso. Meus irmãos e irmãs, a nossa vida deve ser um Salmo contínuo, com aqui e ali uma nota decrescente mui profunda! No entanto, devemos sempre buscar cantar em conformidade com o que vivemos. As estrelas cantam à medida em que brilham, elas cantam brilhando. Vamos cantar à medida em que vivemos e vamos viver cantado, que a nossa vida seja perpetuamente o cântico de um grande Salmo!



Há muitas maneiras de louvar a Deus. Devemos fazê-lo com os lábios e agradável é o som da canção aos ouvidos do Senhor Deus dos Exércitos. Devemos fazer isto diariamente em nossa conversação, que os nossos atos sejam atos de louvor, e que nossas palavras sejam palavras de louvor. Nós deveríamos fazer isso até mesmo pelo próprio contemplar de nossos olhos e pela aparência de nosso semblante. Não deixe que o seu rosto fique triste, deixe o seu semblante ser motivo de alegria! Cante onde quer que você vá, sim, quando você estiver carregado de problemas, que ninguém o saiba. “Quando jejuardes, unge a tua cabeça e lava o rosto”. Esteja sempre feliz, pois este é um mandamento de Deus, através de Seu servo, o apóstolo Paulo: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” [Filipenses 4:4]. E, no entanto, mais uma vez, ele diz: “Regozijai-vos sempre”. Que tenhamos temas para o cântico, Davi neste Salmo mencionou muitos temas. Estejamos atentos aos temas do texto — eu poderia ter dito: o tema; pois todos os temas consistem em um só. Este verso é a voz da experiência. Não é a voz da esperança, dizendo: “Ele dará”, mas a voz da experiência: “Deu mantimento aos que o temem” e a voz da fé: “Lembrar-se-á sempre da sua aliança”.

Devemos notar, em primeiro lugar, o dom: “Deu mantimento aos que o temem”. Em seguida, observaremos o Pacto: “Lembrar-se-á sempre da sua aliança”. E então, finalmente, as ca-racterísticas das pessoas aqui referidas: “Deu mantimento aos que o temem”.

I. Consideremos primeiramente o presente. “Ele deu a mantimento”. Devemos entender es-ta expressão, é claro, num duplo sentido, das nossas necessidades. O primeiro, temporal. O outro, espiritual.

Em primeiro lugar, devemos entender esta expressão em um sentido temporal. Nossos corpos precisam de mantimento. Nós não podemos manter este tecido mortal sem fornecer-lhe alimentos continuamente. Os filhos de Deus não são, pelo fato deles serem homens espirituais, livres de sentir necessidades naturais, eles têm fome e sede até mesmo como os outros. Às vezes, também, eles são ainda chamados a sofrer pobreza e a não saber de onde a sua próxima porção de mantimento virá. Bendito seja Deus —

“Aquele que nos tem assegurado o Céu
Irá aqui todo bem nos fornecer”

— e o Pacto de Deus refere-se não apenas às grandes e maravilhosas coisas que precisamos espiritualmente, mas é um Pacto que inclui no catálogo de Seus dons, misericórdias que são alimento para o corpo, misericórdias para nossas necessidades imediatas e urgentes: “Deu mantimento aos que o temem”.

Deus nunca suportou ver Seu povo morrer de fome. “Os filhos dos leões necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor bem nenhum faltará” [Salmos 34:10]. A promessa é tão verdadeira sob a Nova Aliança, quanto sob a Antiga, que o nosso pão nos será dado e nossa água será certa. O Senhor, que alimenta os corvos, não terá menos cuidado do Seu povo. Aquele que supre cada inseto com sua comida e alimenta o leão que anda majestosamente, não permitirá que Seus próprios filhos nascidos em casa, aqueles que são mais achegados ao Seu coração, pereçam por falta de alimento. “Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas” [Salmos 50:10], então Ele não permitirá que seus filhos fiquem sem mantimento. A Ele pertence a terra e a sua plenitude, e Ele não deixará que Seus filhos fiquem sem seus suprimentos necessários. “Deu mantimento aos que o temem”.
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